VIII Colóquio Hortofrutícola

VIII Colóquio Hortofrutícola marca um novo passo na estratégia de sustentabilidade da Lusomorango

Casa cheia no VIII Colóquio Hortofrutícola da Lusomorango, integrado na FACECO – Feira das Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira.

O evento reuniu produtores, responsáveis políticos, especialistas e parceiros do setor para debater os principais desafios da agricultura portuguesa. Sob o tema “Reconstruir, Produzir, Crescer: Ambição e Sustentabilidade”, o encontro ficou marcado pela apresentação do Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango, desenvolvido no âmbito do Programa Operacional 2026-2028.

Na sessão de abertura, o presidente da Lusomorango, Loïc de Oliveira, sublinhou que a agricultura enfrenta desafios cada vez mais exigentes, defendendo que a resposta passa por maior investimento em conhecimento, inovação e sustentabilidade, mas também por políticas públicas que reforcem a gestão do risco, a disponibilidade de água, a simplificação administrativa e a capacidade de atrair pessoas para o setor.

O momento central do Colóquio foi a apresentação do Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango, conduzida por Bruno Caldeira, Diretor de Desenvolvimento de Negócio da Consulai. O projeto pretende apoiar os produtores associados na adaptação às crescentes exigências ambientais, regulamentares e de mercado, através da avaliação integrada da pegada de carbono (ISO 14067), pegada hídrica (ISO 14046) e pegada ecológica.

Entre os principais objetivos do Plano destacam-se a redução das emissões de gases com efeito de estufa, a melhoria da eficiência hídrica, a diminuição da utilização de fitofármacos e fertilizantes, o reforço da resiliência das culturas às alterações climáticas, a promoção da biodiversidade, o incentivo à economia circular e a preparação da Lusomorango para futuras certificações ambientais. Está ainda prevista a criação de um Índice de Sustentabilidade, que permitirá acompanhar de forma integrada a evolução do desempenho ambiental da organização e dos seus associados.

Durante a apresentação, Bruno Caldeira destacou a natureza coletiva da iniciativa, salientando que o objetivo é criar ferramentas comuns que permitam medir, analisar e melhorar continuamente o desempenho ambiental dos produtores, promovendo simultaneamente uma importante economia de escala.

O crescimento da agricultura portuguesa esteve também em destaque no painel dedicado ao tema “Produzir e crescer com ambição e sustentabilidade”, que contou com a participação de Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh. Na sua intervenção, destacou os desafios que se colocam à competitividade internacional do setor agroalimentar europeu, defendendo a necessidade de reforçar o investimento em água e inovação e de assegurar condições de reciprocidade nas regras comerciais internacionais.

O Colóquio contou ainda com mensagens em vídeo da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que destacaram a importância estratégica da fileira dos pequenos frutos para a economia nacional e defenderam a conjugação entre competitividade, inovação, gestão eficiente da água e sustentabilidade ambiental.

Ao longo do dia foram ainda debatidos temas como os impactos das alterações climáticas, a competitividade internacional, a gestão dos recursos hídricos, o financiamento sustentável e as políticas públicas necessárias para reforçar a resiliência e o crescimento da agricultura portuguesa. O encerramento esteve a cargo do presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, que apelou a uma visão da agricultura como um setor gerador de riqueza, investimento e desenvolvimento económico, e de Eduardo Reis, Diretor-geral da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), que reforçou a necessidade de uma administração pública mais próxima dos agricultores e dos territórios rurais, e que intervenha com mais ação, empatia e simplificação.